Numa tentativa de tornar mais claro e interessante a estudantes e técnicos o novo conceito de «estratégia de actores» no contexto da intervenção social – e desmontar o discurso da participação quer na academia, quer nos terrenos da intervenção –, Isabel Carvalho Guerra revê e aponta os principais problemas da participação e da acção colectiva em projectos de desenvolvimento. Na verdade, «não basta [...] “participar” para tornar democrático um processo, pois está em causa não apenas a forma – quem e como participa? – mas também o conteúdo: participar em quê? Quais são os interesses? Quais os consensos e os conflitos?». Participação e Acção Colectiva – Interesses, Conflitos e Consensos é um contributo – teórico e prático – para a análise de interesses diversificados, dos seus protagonistas, da sua lógica de acção e do processo que permite (ou não) reproduzir os poderes e a mudança social.
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- Introdução
- 1. Governança e a construção da acção colectiva
- 1.1. Complexidade crescente e procura de novas formas de pensar e de agir
- 1.2. Quem são os novos actores?
- 1.2.1. As diferentes escalas e lógicas da estrutura de actores: colectivos individuais, locais e globais, públicos e privados
- 1.2.2. Do actor ao sistema
- 1.2.3. A acção faz o actor
- 1.2.4. Identidade local e formas de acção colectiva: identidade e projecto
- 1.3. Parceria, partenariado e redes
- 1.4. O sentido e as formas da acção colectiva
- 1.4.1. O que faz agir os actores?
- 1.4.2. Concertação e negociação como formas de construção da acção colectiva
- a) A confusa (e conflitual) história destes conceitos
- b) Conflito e compromisso são incompatíveis?
- c) A negociação e a cooperação como formas de construção identitária e de regulação social
- d) Como entender estas evoluções?
- 1.4.3. A microfísica do poder: politização da vida social e das políticas públicas
- 1.4.4. Entre emancipação e integração
- 1.4.5. De uma democracia de gestão a uma democracia de projecto
- 1.5. O conhecimento e o cientista social
- 1.5.1. A análise das práticas sociais e não apenas dos significados
- 1.6. Alguns pressupostos para a análise da acção colectiva a nível do planeamento
- 2. Paradigmas de entendimento da acção colectiva (no quadro da sociologia)
- 2.1. As teorias do comportamento colectivo, ou como a mudança é mal encarada
- 2.1.1. Da imitação e do contágio à identidade colectiva organizada
- 2.2. A teoria da mobilização dos recursos e a crença na racionalidade do comportamento humano
- 2.2.1. A teoria dos jogos
- 2.2.2. A lógica da acção colectiva em Olson
- 2.2.3. A abordagem estratégica
- 2.2.4. A análise da acção colectiva
- 2.3. A teoria dos novos movimentos sociais: da excepção da transgressão à procura de novos sentido do devir colectivo
- 2.3.1. As teorias da acção
- 2.3.2. Que visão social propõe a análise da acção?
- 2.3.3. O que é um novo movimento social?
- 2.3.4. Os métodos
- 2.4. A teoria dos quadros de referência (frame theory) e a crença na construção «experiencial» dos modelos condutores da acção
- 2.4.1. Todos os actores são portadores de significação
- 2.4.2. A produção de identidade colectiva
- 2.4.3. O método
- 2.4.4. Conclusão
- 2.5. A teoria do avanço da democracia e da crise de legitimidade: à procura de outras formas de decisão sobre a vida quotidiana
- 2.5.1. Cidadania, identidades e novas formas de fundamentar a acção colectiva
- 2.5.2. A dimensão política da participação e a democracia participativa
- 2.6. Reformulações recentes e perspectivas de pesquisa
- 3. A análise da estratégia dos actores
- 3.1. Quem são os actores?
- 3.1.1. Porquê fazer uma análise de actores?
- 3.1.2. Desafios e limites
- 3.2. Quando deve ser realizada uma análise da estratégia de actores e quanto tempo leva?
- 3.3. Como fazer a análise estratégica de actores?
- 3.3.1. Técnicas de identificação dos actores
- a) O método básico
- b) Matrizes descritivas de identificação dos actores
- i) Matriz de identificação dos actores: interesses e envolvimento
- ii) Matriz de identificação dos recursos dos actores
- iii) Matriz das relações entre actores e entre actores e os problemas identificados
- iv) Matriz das relações de impactes esperados de um dado programa
- v) Matriz simbólica de análise organizacional
- vi) Matriz de actores-motores e actores-freio
- vii) Matriz sumária de análise da participação
- 3.3.2. Técnicas de análise das interacções entre actores
- a) As técnicas-base: análise estrutural, análise de impactes e grafos
- i) A análise de impactes cruzados (cross impact analysis)
- ii) A análise de grafos
- iii) A centralidade dos actores
- b) As técnicas de análise das relações entre actores: poder e influência
- i) Os sociogramas de actores
- ii) Matriz de influência e importância
- iii) Análise da estratégia de actores
- Conclusão
- Bibliografia
- Índice