Os economistas e os teólogos costumam habitar diferentes mundos ao nível intelectual. Os primeiros estudam o funcionamento dos mercados e tendem a deixar os problemas éticos de lado. Os segundos, procurando encarar as questões levantadas pelas consequências do mercado, muitas vezes relegam a economia para segundo plano e perdem de vista a influência que os incentivos do mercado têm no comportamento individual. Mary L. Hirschfeld, que lecionou Economia durante 15 anos antes de se tornar teóloga, procura neste trabalho inovador sobre a relação da economia com o pensamento de São Tomás de Aquino erguer uma ponte entre estes dois campos do saber humano.
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- Preâmbulo
- 1. Servir a Deus ou ao dinheiro? O diálogo entre a teologia e a economia
- O dilema fundamental da economia teológica
- Estratégias para levar a reflexão teológica à economia
- A primeira abordagem: a teologia submete-se à economia
- A segunda abordagem: uma divisão de trabalho entre teologia e economia
- A terceira abordagem: crítica teológica das premissas da economia
- Uma abordagem à economia teológica enraizada no pensamento de São Tomás de Aquino
- Visão geral
- 2. O modelo da escolha racional e as suas limitações
- Principais características do pensamento económico moderno
- Algumas observações gerais
- Homo economicus
- A distinção positivo/normativo em economia
- O homo economicus e a distinção positivo/normativo
- Dois debates sobre o conteúdo normativo do homo economicus
- Bem-estar versus satisfação de preferências
- Todas as motivações podem ser agrupadas numa medida única das preferências?
- Consumo, escassez e natureza da maximização
- 3. A felicidade e o exercício distintamente humano da razão prática: O cenário metafísico
- As propriedades formais da bem-aventurança
- O caráter distintamente humano do nosso fim último
- Ação humana ordenada para um fim último
- A natureza objetiva do nosso fim último
- O cenário metafísico subjacente à bem-aventurança segundo São Tomás de Aquino
- A relação analógica entre Deus e o mundo
- A perfeição de ser
- 4. A felicidade e o exercício distintamente humano da razão prática: Virtude e prudência
- Preparação da descrição que faz São Tomás de Aquino da bem-aventurança terrena como uma vida de virtude
- A ordenação dos bens nesta vida
- A analogia entre bem-aventurança perfeita e bem-aventurança imperfeita
- A virtude como o centro da felicidade humana nesta vida
- O que é a virtude?
- Virtude e bem-estar
- Prudência versus escolha racional
- As «partes» da prudência
- Pode a prudência ser modelada como uma forma de maximização com restrições?
- 5. A vida económica ordenada para a felicidade
- A riqueza natural ordenada para a virtude
- O papel dos bens materiais numa vida bem vivida
- Porque é que o nosso desejo de riqueza natural deve ser limitado, ou finito?
- A riqueza artificial ordenada para a riqueza natural
- O problema do dinheiro
- Análise teológica dos perigos do dinheiro
- As consequências da adoção da lógica de maximização do lucro
- 6. Da liberalidade à justiça: Os ensinamentos de São Tomás de Aquino sobre a propriedade privada
- São Tomás e a propriedade privada
- Quanto é suficiente? O papel do nível de vida no pensamento de São Tomás de Aquino
- Nível de vida e justiça económica
- 7. Para uma economia humana: Uma abordagem pragmática
- O valor da análise económica
- As limitações e responsabilidades da economia numa perspetiva tomista
- Qual é o propósito de estudar a natureza humana?
- O modelo da escolha racional é uma orientação fraca para se alcançar a felicidade
- As implicações do pensamento de São Tomás na prática económica
- Enquadrar a análise económica numa explicação holística da felicidade
- A economia como participante em discussões culturais
- Agradecimentos
- Índice