“Procurar o sentido de uma palavra, o significado de um conceito e o conhecimento de uma realidade”, eis aquilo que se propõe o Padre Duarte da Cunha nesta sua tese de doutoramento. Olhando para o conceito de amizade numa perspectiva abrangente e que o leva numa viagem aos significados primeiros e cristãos da amizade, o autor estuda pormenorizada e criteriosamente tanto as principais fontes da obra tomasiana (Aristóteles, Santo Agostinho, Dionísio Areopagita e São Bernardo) como os mais determinantes textos em que São Tomás, ao longo da sua Obra, aborda a temática da amizade (Scriptum super Sententiis, Expositio super Librum Dionysii de Divinis Nominibus, Summa contra Gentiles, Sententia Libri Ethicorum, Lectura super Ioannem e a magistral Summa Theologiae) e em que, segundo o próprio autor, o Doutor Angélico “não se refere apenas ao que se deve fazer, mas analisa igualmente a estrutura da realidade humana feita para concretizar laços de amizade, a começar pela amizade com Deus e alargando-se à amizade universal”.
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- Siglas e abreviaturas
- Introdução Geral
- Parte I – A Amizade nas Fontes de São Tomás
- Capítulo I – Aristóteles
- 1. Introdução
- 2. Ética a Nicómaco (livros 8 e 9)
- 2.1. A edição estudada
- 2.2. Os livros VIII e IX da Ética a Nicómaco
- 2.2.1. A importância da amizade na Ética a Nicómaco
- 2.2.2. Estrutura dos livros VIII e IX
- 2.3. Síntese doutrinal
- 2.3.1. A amizade: uma necessidade da natureza do homem
- 2.3.2. Amizade como relação de amor
- 2.3.3. Dos três amáveis às três espécies de amizade
- 2.3.4. Hábito e eleição
- 2.3.5. Reciprocidade e igualdade
- a) Igualdade ontológica
- b) Semelhança
- c) Igualdade psicológica ou concórdia
- d) Comunicação
- e) Reciprocidade em cada uma das amizades
- 2.3.6. Os aspectos determinantes da amizade
- a) Benevolência
- b) Concórdia
- c) Beneficência
- d) Convívio
- 2.3.7. A felicidade e a amizade
- a) A felicidade do homem
- b) A felicidade e os amigos
- 3. Retórica (Livro II 4)
- Capítulo II – Santo Agostinho
- 1. Introdução
- 1.1. A relação entre Santo Agostinho e São Tomás
- 1.2. Alguns aspectos da teologia de Santo Agostinho
- 1.2.1. O amor em Santo Agostinho
- a) A natureza do amor
- b) A moralidade do amor
- 1.2.2. O primado da vontade na felicidade eterna
- 2. A amizade em Santo Agostinho
- 2.1. Os deveres na amizade
- 2.1.1. O amor
- 2.1.2. A confiança
- 2.1.3. A franqueza
- 2.2. O caminho da amizade
- 2.2.1. O nascimento
- 2.2.2. A comunidade
- 2.2.3. A perseverança na amizade
- 2.2.4. A dissolução de uma amizade
- 2.3. Definir a amizade
- 3. Análise de alguns textos citados por São Tomás
- 3.1. De Doctrina Christiana
- 3.2. De Trinitate
- 3.2.1. Livro VIII 3-10
- 3.2.2. Livro X, 1-2
- 3.3. De Civitate Dei XIV 7
- Capítulo III – Dionísio Areopagita
- 1. Introdução
- 2. De Divinis Nominibus
- 2.1. Deus Fonte e Fim de todos os seres
- 2.2. O êxtase e o ciúme
- 2.3. O amor é força unificante
- Capítulo IV – São Bernardo
- 1. Introdução
- 1.1. Pertinência deste capítulo
- 1.2. Pedro Abelardo
- 1.2.1. Introductio ad Theologiam
- 1.2.2. Commentaria in Epistolam Pauli ad Romanos (VII, 13)
- 2. São Bernardo
- 2.1. A vida
- 2.2. De Diligendo Deo
- 2.2.1. Deus amou-nos primeiro (I Jo 4, 8) – O homem deve responder
- a) Deus merece ser amado como ninguém, mas amá-Lo é sempre um re-amar
- b) Pela lei natural todos são obrigados a amar a Deus
- c) A obrigação de amar é facilitada entre os cristãos
- d) A reciprocidade nasce da memória
- e) Affectus e não contractus
- 2.2.2. O homem deseja Deus
- a) A vontade privada e a vontade comum
- b) Deus como causa final e causa eficiente do nosso amor a Ele
- 2.2.3. O amor casto e gratuito – os quatro graus do amor
- 2.2.4. Síntese
- 3. São Bernardo influencia São Tomás?
- Parte II – A Amizade nas Obras de São Tomás
- Introdução
- A – O Primeiro Período de Ensino em Paris
- Capítulo I – O Scriptum super Sententiis
- 1. Introdução
- 2. O amor
- 2.1. O Espírito Santo
- 2.2. A definição de amor na d27 do comentário ao Livro III
- 2.3. Amor de concupiscência e amor de amizade
- 3. A amizade
- 3.1. Definição de amizade: Livro III d27 q2 a1
- 3.2. Comunicação
- 3.3. Benevolência
- 3.4. Conclusão
- B – O Período Italiano
- Capítulo II – A Expositio super Librum Dionysii de Divinis Nominibus
- 1. São Tomás e Dionísio
- 1.1. As impressões de São Tomás sobre a obra de Dionísio
- 1.2. A estrutura da obra de Dionísio, segundo São Tomás
- 1.3. O capítulo IV
- 2. O amor no Comentário de São Tomás
- 2.1. O que é o amor
- 2.2. O amor como força unitiva e concretiva
- 2.3. Os vários amores
- 2.4. Os efeitos do amor no amante
- 2.5. Deus é Amor, Amante e Amável
- 2.6. A circularidade do amor
- 3. O contributo da doutrina do amor na Expositio para a compreensão da amizade
- Capítulo III – A Summa contra Gentiles
- 1. Introdução
- 2. A amizade
- 2.1. A amizade e o matrimónio
- 2.2. A amizade e a graça gratum faciens
- 2.2.1. A graça gratum faciens
- 2.2.2. A caridade
- 2.2.3. A fé e a esperança
- 2.3. A amizade e a presença do Espírito Santo
- 2.3.1. O amor
- 2.3.2. O Espírito Santo faz-nos amigos de Deus
- 2.3.3. As propriedades da amizade
- 2.4. Outras referências à amizade
- 2.4.1. Utilidade da oração apesar da imutabilidade da Providência
- 2.4.2. A propósito do conselho evangélico da pobreza
- 2.4.3. A justificação
- 2.4.4. A conveniência da Incarnação
- 3. Conclusão
- C – O Segundo Período de Ensino em Paris
- Capítulo IV – A Sententia Libri Ethicorum
- 1. Introdução
- 2. O objectivo da Sententia
- 3. São Tomás segue e ultrapassa Aristóteles
- 3.1. O hábito
- 3.2. Benevolência
- 3.3. Semelhança
- 3.4. A comunicação
- 3.5. Os três tipos de amizade
- 4. São Tomás destaca-se de Aristóteles
- 4.1. A amizade com Deus
- 4.2. O modelo da amizade: do eu virtuoso a Deus
- 5. Conclusão
- Capítulo V – A Lectura super Ioannem
- 1. O comentário: história, objectivos e estrutura
- 1.1. História de um Comentário
- 1.2. Estilo e objectivos
- 1.3. Estrutura do comentário
- 2. Comentário ao capítulo XV
- 2.1. A unidade dos discípulos a Cristo
- 2.2. O modo da união
- 2.3. Manifestação e causa da amizade
- 2.3.1. Os sinais da amizade
- 2.3.2. A causa da amizade
- 3. Outras referências à amizade
- 3.1. Capítulo VIII, 42
- 3.2. Capítulo XI, 11
- 3.3. Capítulo XIII, 34-35
- 3.4. Capítulo XV, 19
- D – A Última Etapa
- Capítulo VI – A Summa Theologiae
- 1. Introdução
- 2. O amor
- 2.1. O Espírito Santo como Amor entre o Pai e o Filho
- 2.2. A definição de amor
- 2.2.1. O apetite
- 2.2.2. O amor
- 2.2.3. Amor de amizade e amor de concupiscência
- 2.2.4. As causas do amor
- 2.2.5. A tríplice união
- 2.2.6. Efeitos do amor
- 3. A amizade
- 3.1. Definição de amizade (II IIae q23 a1)
- 3.2. Aprofundar os principais elementos da amizade
- 3.2.1. A comunicação como fundamento da amizade
- a) q23 a1
- b) q23 a5
- c) q26 a7 e 8
- d) q24 a2
- e) q26 a3
- f) q25 a3
- g) q25 a10
- h) q25 a12
- i) q26 a2
- j) Conclusão
- 3.2.2. A reciprocidade do amor de benevolência
- a) Amor de benevolência e amor de concupiscência numa amizade
- b) O bem que se quer para o amigo
- c) A reciprocidade
- d) A amizade é uma virtude ou uma consequência das virtudes
- 3.3. Os efeitos da amizade
- 3.3.1. A amizade une os amigos
- a) O amigo como um outro eu
- b) O convívio
- c) A concórdia e a paz
- d) Unido aos amigos do amigo
- 3.3.2. A amizade causa o agir pelo amigo
- a) Da benevolência à beneficência
- b) Os diversos tipos de beneficência
- c) A reciprocidade da beneficência
- d) A misericórdia
- 3.3.3. A amizade causa a alegria
- a) O gozo
- b) Os amigos e o gozo eterno
- Conclusão Geral
- 1. Uma perspectiva realista
- 2. A importância das fontes no pensamento de São Tomás
- 3. O percurso de São Tomás
- 4. Síntese doutrinal
- 4.1. O amor
- 4.1.1. Doutrina sobre o amor em geral
- 4.1.2. O amor de concupiscência e o amor de benevolência
- 4.2. A reciprocidade
- 4.3. A comunicação
- 4.4. A concórdia
- 4.5. A amizade como virtude
- 5. Hipóteses conclusivas
- 5.1. Uma sistematização da doutrina da amizade
- 5.2. A amizade e a teologia
- Bibliografia
- Índice Geral