A Natureza Geopolítica da Regulação Bancária

A Natureza Geopolítica da Regulação Bancária

  • Author: Cadete, Joaquim
  • Publisher: Princípia Editora
  • eISBN Pdf: 9789897163869
  • Place of publication:  Portugal
  • Year of digital publication: 2022
  • Month: November
  • Pages: 234
  • Language: Portuguese
«Os últimos anos têm-se caracterizado por um crescente debate, e interesse, relativamente à interação entre poder político e banca […]. Face à importância de garantir um sistema bancário capaz, num regime democrático, de prover crédito estável e duradoiro a empresários talentosos e a famílias responsáveis, importa questionar por que razão é tão difícil encontrar nos nossos dias um tal sistema. Adicionalmente, como é possível que um setor da economia tão regulado e supervisionado funcione tão mal em tantos países? A resposta de alguns autores para esta ques-tão sugere que a fragilidade do sistema bancário e a escassez do crédito refletem a estrutura fundamental das instituições políticas em cada país. Para outros, o problema decorre essencial-mente da captura efetiva, por parte de interesses privados, das matérias da regulação financeira, da captura cognitiva em termos ideacionais ou de lacunas ao nível do processo de governança global. O argumento proposto neste trabalho fundamenta-se numa abordagem realista em que a lógica associada à preservação do poder político se assume como determinante. Consequente-mente, a necessidade de manter um forte ritmo de dinâmica económica tende a dominar a ação política por forma a satisfazer os eleitores. Neste processo, a relação entre o poder político e as instituições bancárias afigura-se central, uma vez que a capacidade de criação de massa monetá-ria, via crédito, é pertença dos últimos. Aos reguladores, nomeados politicamente, cabe a tarefa de gerir este processo e de salvaguardar a estabilidade financeira.»
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  • Prefácio
  • Introdução
  • Parte I
    • Capítulo 1 – A concessão de crédito no Estado-nação
      • 1.1. A importância política da concessão de crédito
      • 1.2. A estabilidade financeira como objetivo político mas, intertemporalmente, inconsistente
      • 1.3. Atores com poder de interferência na decisão política doméstica
        • 1.3.1. Banca – O problema dos conflitos de interesse entre o poder político e o sistema bancário
        • 1.3.2. Eleitores – A incapacidade do eleitorado na avaliação e na determinação da regulação bancária
        • 1.3.3. Reguladores – A regulação financeira como um processo redistributivo em economia fechada
        • 1.3.4. Instituições democráticas
          • 1.3.4.1. Os regimes políticos e os direitos financeiros de propriedade
          • 1.3.4.2. Democracia, regras eleitorais e suas consequências
      • 1.4. A necessidade de alterar a estratégia regulatória dado o novo contexto de «Estado competidor»
    • Capítulo 2 – Basel I como o início da dinâmica competitiva e redistributiva na regulação bancária
      • 2.1. As origens dos incentivos à cooperação internacional em matéria de regulação bancária
      • 2.2. A regulação financeira internacional como um processo redistributivo numa economia aberta
      • 2.3. O Acordo de Basel I como alternativa ao cenário de bail-out para a banca americana
      • 2.4. Regras de capital regulamentar inerentes ao Acordo de Basel I
      • 2.5. O papel das relações internacionais em banca
  • Parte II
    • Capítulo 3 – O Estado competidor, os fundamentos teóricos para a sua ação e a nova dinâmica negocial
      • 3.1. A adaptação do papel do Estado à nova realidade global
      • 3.2. A identificação do «institucionalismo realista» como prática orientadora na ação do Estado competidor
        • 3.2.1. Proposição I
          • 3.2.1.1. Subproposição I
          • 3.2.1.2. Subproposição II
        • 3.2.2. Proposição II
        • 3.2.3. Proposição III
          • 3.2.3.1. Subproposição I
          • 3.2.3.2. Subproposição II
      • 3.3. As proposições I e II do institucionalismo realista na dinâmica regulatória bancária
      • 3.4. A parceria entre política e banca num contexto de globalização – A economia nacional determina o resultado (Proposição III)
      • 3.5. O difícil equilíbrio regulatório: entre a política nacional e o desenho internacional para promoção da estabilidade financeira
      • 3.6. Novos atores: A rede regulatória transnacional como um novo patamar de influência política
    • Capítulo 4 – Basel II, o resultado de uma longa discussão redistributiva
      • 4.1. A complexidade técnica ao serviço da competitividade entre soberanos
        • 4.1.1. Etapa I
        • 4.1.2. Etapa II
        • 4.1.3. Etapa III
        • 4.1.4. Etapa IV
      • 4.2. O fracasso da regulação
    • Capítulo 5 – Basel III – A promessa que seria diferente
      • 5.1. A divergência entre a promessa e o resultado alcançado
        • 5.1.1. Etapa I
        • 5.1.2. Etapa II
        • 5.1.3. Etapa III
        • 5.1.4. Etapa IV
      • 5.2. E não foi diferente
    • Capítulo 6 – Uma nova governança na UE, com os mesmos problemas
      • 6.1. O início de uma nova era na regulação bancária europeia
      • 6.2. O Mecanismo Europeu de Supervisão (MES)
        • 6.2.1. A discussão política
        • 6.2.2. A prática consequente
      • 6.3. O Mecanismo Único de Resolução (MUR)
        • 6.3.1. A discussão política
        • 6.3.2. BRRD (Bank Recovery and Resolution Directive)
        • 6.3.3. O bail-in e a sua aplicação
          • 6.3.3.1. Acontecimentos pré-BRRD
          • 6.3.3.2. O critério do «interesse público» pelo CUR
          • 6.3.3.3. A «ajuda de Estado» como prevenção do bail-in
      • 6.4. Regras novas, os mesmos resultados
  • Conclusão
  • Bibliografia
  • Índice