Da novação no Direito Privado

Da novação no Direito Privado

  • Author: Costa Gonçalves, Diogo
  • Publisher: Princípia Editora
  • eISBN Epub: 9789897164767
  • Place of publication:  Portugal
  • Year of digital publication: 2025
  • Month: December
  • Pages: 592
  • Language: Portuguese

O Direito privado português acolhe o princípio da livre modificabilidade objetiva e subjetiva das obrigações, com manutenção da identidade do vínculo obrigacional. Permite ainda a transmissão de créditos e débitos. Este cenário coloca o desafio de saber qual o lugar da novação: o instituto goza ainda de autonomia dogmática ou corresponde apenas ao resquício histórico de uma época em que a modificação e a transmissão das obrigações só podia ser obtida através de um processo simultaneamente extintivo e constitutivo.

  • Frontispício
  • Ficha técnica
  • Nota prévia
  • Abreviaturas
  • Plano da obra
  • Parte I – Introdução e coordenadas gerais
    • Capítulo I – O objeto e a metodologia
      • § 1.º Novação: um instituto anacrónico?
        • 1. O problema
        • 2. Previsões legais de novação
        • 3. A novação na jurisprudência
      • § 2.º Opções metodológicas
        • 4. A jurisprudência sistemático-histórica
        • 5. A novação como pactum vs. effectus ipsius
        • 6. A delimitação das hipóteses de novação e a distinção de figuras afins
    • Capítulo II – Depuramento do fenómeno novatório
      • § 3.º A novação e a modificação objetiva das obrigações
        • 7. A livre modificabilidade do vínculo obrigacional; modalidades
        • 8. A renegociação contratual ex contractu e ex bona fide
        • 9. A novação no contexto de uma renegociação contratual
        • 10. Novação e revisão contratual heterónoma
      • § 4.º A novação e a modificação subjetiva das obrigações
        • 11. A expromissio (assunção cumulativa)
        • 12. A promessa de liberação
        • 13. A delegatio como alternatividade prestacional
      • § 5.º A novação e a transmissão singular de créditos
        • 14. A livre transmissibilidade dos créditos
        • 15. Limites à livre transmissibilidade e oponibilidade ao credor cessionário
        • 16. A transmissão de créditos litigiosos
        • 17. Tópicos centrais do regime da cessão de créditos
        • 18. A sub-rogação ope voluntatis
        • 19. O problema da extinção do crédito na sub-rogação
        • 20. Cont.: vontade e comportamento liberatório
        • 21. Cont.: o destino das garantias, acessórios e meios de defesa
        • 22. A sub-rogação legal como transmissão proprio sensu
        • 23. A sub-rogação pelo credor como cessão sem negócio base
        • 24. A sub-rogação pelo devedor: uma hipótese de novação subjetiva?
      • § 6.º A novação e a transmissão singular de dívidas
        • 25. A sedimentação da figura da assunção de dívidas
        • 26. A assunção sem o consentimento do devedor: uma estipulação novatória?
        • 27. O renascimento do debitum e a sorte das garantias
        • 28. Tópicos centrais do regime da assunção: limitações objetivas e a ratificação pelo credor
      • § 7.º A cessão da posição contratual
        • 29. A origem da figura
        • 30. Exclusão da sua relevância
  • Parte II – Evolução histórico-dogmática do instituto
    • Capítulo I – A novatio no direito romano
      • § 8.º A obligatio romana
        • 31. A obligatio da época arcaica
        • 32. A obrigação como vinculum juris e o carácter pessoal da obligatio
        • 33. Solutio vs. satisfactio
        • 34. Aproximação à noção de novatio obligationis: a doutrina de Gaius
      • § 9.º Elementos estruturais da novatio no período clássico e justinianeu
        • 35. A prima obligatio
        • 36. A stipulatio novatória
        • 37. Cont.: novação condicional
        • 38. Cont.: a stipulatio Aquiliana
        • 39. Dependência ex præcedenti causa: idem debitum e aliquid novi
        • 40. O princípio voluntate solum esse novandum: o animus novandi
    • Capítulo II – Do mos italicus ao jusracionalismo
      • § 10.º Período intermédio: glosadores e comentadores
        • 41. Sequência; a formação da ciência jurídica europeia
        • 42. A Summa Codicis de Irnerius (1050-1125)
        • 43. Bartulus (1313-1357)
        • 44. Baldus (1327-1400)
      • § 11.º Humanismo jurídico e a primeira sistemática
        • 45. Contexto juscultural
        • 46. Donellus (1527-1559) e Cuiacius (1522-1590)
        • 47. Zoesius (1571-1627)
        • 48. Domat (1625-1696)
      • § 12.º Jusracionalismo: contributos e silêncios
        • 49. Contexto cultural da segunda sistemática
        • 50. Althusius (1557-1638)
        • 51. Pufendorf (16321694), Wolfius (1679-1754), Heineccius (1681-1741) e Daniel Nettelbladt (1719-1791)
    • Capítulo III – A pandectística e o silêncio do BGB
      • § 13.º De Heise a Savigny: os primeiros lustros da pandectística
        • 52. A escola histórica e a terceira sistemática
        • 53. Heise e a sistematização do direito das obrigações
        • 54. Novatio privativa vs. novatio cumulativa (Thibaut)
        • 55. Os desenvolvimentos de Hufeland e Göschen
        • 56. Das Obligationenrecht: a obra inacabada de Savigny
      • § 14.º O declínio do Unübertragbarkeitsdogma
        • 57. Elementos de transição dogmática
        • 58. Mühlenbruch e a transmissão do exercício (Übertragung der Ausübung)
        • 59. Brinz e o abandono da sistematização de Heise
        • 60. A formação de um princípio da identidade
        • 61. Cont.: o contributo de Salpius
        • 62. Windscheid e a transmissibilidade de créditos e débitos
        • 63. Cont.: a novação (ainda) como modalidade extintiva das obrigações
      • § 15.º A ausência da novação no BGB
        • 64. Sequência; o modelo adotado pelo BGB
        • 65. Que destino dar à novação?
        • 66. A novação para além da modificação subjetiva das obrigações (Personenwechsel)
        • 67. Sinopse: o lugar da novação no sistema germânico
        • 68. A irrelevância da Reforma de 2002
    • Capítulo IV – A novação nas codificações francesa e italiana
      • Secção I – A experiência francesa
        • § 16.º A novação no Code Civil 1804
          • 69. Sequência; o modelo napoleónico
          • 70. A novação como negócio jurídico extintivo
          • 71. As três modalidades de novação
          • 72. Novação vs. sub-rogação
          • 73. A delegação não novatória
          • 74. O animus novandi
          • 75. Elementos acessórios da prima obligatio e solidariedade
          • 76. A Reforma de 2016 e a natureza substitutiva da novação
      • Secção II – A experiência italiana
        • § 17.º O Codice Civile 1865
          • 77. O modelo de codificação adotado
          • 78. Modalidades de novação: espromissione vs. delegazione; novazione necessaria vs. novazione voluntaria
          • 79. Animus novandi e novação tácita
          • 80. Cessão de créditos e assunção de dívidas
        • § 18.º O Codice Civile 1942
          • 81. A novação objetiva e a redefinição do instituto
          • 82. Delegatio promittendi e delegatio solvendi
          • 83. Causalidade e abstração na delegazione
          • 84. A expromissione e o accollo
          • 85. A insolvência do novo devedor
          • 86. A relocalização sistemática da cessão de créditos
    • Capítulo V – A novação em Portugal e no Brasil
      • Secção I – A experiência portuguesa
        • § 19.º Das Ordenações aos códigos da primeira geração
          • 87. Periodificação; o silêncio das Ordenações
          • 88. As Institutiones de Mello Freire
          • 89. A obra de Corrêa Telles
          • 90. O ensino de Coelho da Rocha
        • § 20.º A primeira codificação comercial
          • 91. A novação comercial de Ferreira Borges e o Código Comercial 1833
        • § 21.º O Código de Seabra
          • 92. A retoma do esforço codificador no início do séc. XIX
          • 93. O Projeto de Seabra
          • 94. A novação civil do Código Seabra
          • 95. As primeiras lições do Direito codificado: Dias Ferreira
          • 96. A reordenação conceptual de Guilherme Moreira: a novação objetiva, dação em cumprimento e negócio modificativo
          • 97. Cont: expromissio, cumprimento por terceiro e transmissão singular de dívidas
          • 98. Cont: a delegatio e a novação subjetiva por substituição do credor
          • 99. A lição de José Tavares
          • 100. A lição de Cunha Gonçalves
          • 101. Cont.: delegação perfeita e imperfeita
        • § 22.º O atual Código Civil
          • 102. O Anteprojeto de Vaz Serra
          • 103. As revisões ministeriais
      • Secção II – A experiência brasileira
        • § 23.º A novação comercial e o contributo de Teixeira de Freitas
          • 104. O Código Comercial de 1850 e o Projeto Herculano de Sousa
          • 105. Teixeira de Freitas e a Consolidação das Leis Civis (1858)
          • 106. O Projeto de Código Civil (1860-1865)
        • § 24.º A novação na codificação civil
          • 107. O Código Civil de 1916
          • 108. A ordenação dogmática de Pontes de Miranda
          • 109. O novo Código Civil: do Anteprojeto de 1941 ao Projeto de Código das Obrigações (1965)
          • 110. Do Anteprojeto de 1972 ao Código Civil de 2002
          • 111. Principais notas sobre a novação na doutrina brasileira
  • Parte III – (Re)Construção dogmática
    • Capítulo I – Sinopse da evolução histórico-dogmática
      • § 25.º Notas identitárias do instituto
        • 112. Ex præcedenti causa
        • 113. Animus novandi
        • 114. Idem debitum vs. aliquid novi
      • § 26.º Sequência metodológica
        • 115. A novação como effectus ipsius e a centralidade da sua ineficácia
        • 116. As hipóteses de novação
    • Capítulo II – A ineficácia da novação
      • Secção I – A extinção da prima obligatio
        • § 27.º Extinção proprio sensu
          • 117. Sequência; extinção própria vs. extinção imprópria
          • 118. O cumprimento e impossibilidade superveniente
          • 119. Cont.: a impossibilidade prática e a impossibilidade subjetiva
        • § 28.º Extinção imprópria e relação de liquidação
          • 120. Sequência; a resolução por incumprimento
          • 121. A eficácia liberatória e restitutória da resolução
          • 122. A denúncia: modificação ou extinção da relação obrigacional?
          • 123. Acordo revogatório vs. novação revogatória
          • 124. A caducidade
      • Secção II – A invalidade da prima obligatio
        • § 29.º Invalidade e liquidação contratual
          • 125. Enquadramento geral
          • 126. Novação e relação de liquidação convencional
          • 127. Relação de liquidação legal e novatio necessaria
        • § 30.º O conhecimento da invalidade em momento posterior à constituição da nova obligatio
          • 128. Sequência
          • 129. O conhecimento do fundamento da nulidade
          • 130. A novação das obrigações anuláveis
          • 131. Cont: o conhecimento normativamente relevante
      • Secção III – Efeitos da ineficácia
        • § 31.º A ineficácia prevista no art. 860.º/1
          • 132. Impossibilidade originária da estipulação novatória
        • § 32.º A subsistência da obrigação primitiva (art. 860.º/2)
          • 133. O renascimento da prima obligatio
          • 134. Renascimento ou subsistência?
          • 135. Repercussão da extinção na obrigação renascida
          • 136. O renascimento das garantias
    • Capítulo III – A eficácia substitutiva das obrigações
      • § 33.º Revisitando a causa
        • 137. Sequência; a profecia de Windscheid
        • 138. A causa na doutrina portuguesa contemporânea
        • 139. Os fins no ato humano
      • § 34.º O retorno à causa contractus
        • 140. Causa e cumprimento
        • 141. Causa e essencialidade
        • 142. Causa e a falsa demonstratio non nocet
        • 143. Causa e conversão dos negócios jurídicos
        • 144. O perfil da causa contractus
      • § 35.º Causa e novação
        • 145. A identidade causal da prima e da nova obligatio
        • 146. Ausência de causa e indebitum solutum
        • 147. Cont.: solutio per errorem
      • § 36.º O fenómeno substitutivo: transfusio atque translatio
        • 148. Sequência; a eficácia substitutiva (effectus ipsius)
        • 149. A novatio como paradigma da substituição aliquid novi
        • 150. Os casos de substituição idem debitum
        • 151. A dualidade do regime das garantias
        • 152. A autonomia da substituição idem debitum face à novação subjetiva
        • 153. Cont.: a relevância do elemento subjetivo no regime da substituição idem debitum
        • 154. A integração de outros casos de substituição: a conversão e a novação imprópria
  • A tese (e as teses)
  • Índice onomástico
  • Índice ideográfico
  • Bibliografia