“Mas ela, aí pela avenida Fernão de Magalhães, perguntou-me baixinho, com evidente ternura na voz:
- Gostas de mim?
Que haveria eu de responder?
- Gosto. E tu? Gostas de mim?
- Gosto, claro. Mas o que é para ti gostar de alguém?
Eu disse-lhe mais ou menos isto: que era sentir que esse alguém era muito importante, que dava alegria e beleza à minha vida, que me fazia levantar de manhă já feliz por saber-acreditar que nos íamos ver.
A resposta agradou-lhe, pois eu bem a senti sorrir e apertar-me mais a mão. Atirei:
- E para ti? O que é para ti gostar de alguém?
Ela segredou-me:
- É eu sentir-me assim, sabes, estupidamente feliz ao pé de ti. Estupidamente, compreendes? E também outra coisa que é difícil de explicar.
- O quê? - quis eu saber, nas nuvens.
E ela, como se a sua voz fosse um poema:
- É também... é também eu nem me lembrar do tempo em que não te conhecia. Compreendes?”
- Cover
- Title page
- A memória: um rio correndo para a nascente
- Advertência e dedicatória
- 1.
- 2.
- 3.
- 4.
- 5.
- 6.
- 7.
- 8.
- 9.
- 10.
- 11.
- 12.
- 13.
- 14.
- 15.
- 16.
- 17.
- 18.
- 19.
- 20.
- 21.
- 22.
- 23.
- 24.
- 25.
- 26.
- 27.
- 28.
- 29.
- 30.
- 31.
- 32.
- 33.
- 34.
- 35.
- 36.
- 37.
- 38.
- 39.
- 40.
- 41.
- 42.
- 43.
- 44.
- 45.
- 46.
- 47.
- 48.
- 49.
- 50.
- 51.
- 52.
- 53.
- 54.
- 55.
- 56.
- 57.
- 58.
- 59.
- 60.
- 61.
- 62.
- 63.
- 64.
- 65.
- 66.
- 67.
- 68.
- 69.
- 70.
- 71.
- Copyright page